abandono


…sabia que a confusão que era sua vida. sua casa. era somente sua. eternamente desorganizada. colecionadora de coisas velhas que nunca seriam usadas. era a sua forma de eternizar o que já se passara. tinha uma louca sensação de que precisaria um dia daquilo. um velho recorte de jornal falando de levi-strauss, ou uma receita antiga de como fazer sabonetes glicerinados em forma de bola futebol. ou uma receita de sex on the beach delicioso drink que tomou no primeiro encontro com um carinha que não viu nunca mais…. enfim precisaria de um incendio para desapegar de sua coleção de apegos inuteis e salvadores… estava perdida, pensava na frase de clarice lispector que dizia mais ou menos, se não lhe falhasse a memória( algo que costumava lhe falhar sempre), que ´’quem não é perdido não conhece a liberdade’ e pensava que clarice tinha razão pois a liberdade traz essa perda, perdição, algo que sempre fica pra trás… ela era assim gostava de ´pensar coisas estranhas e se achava a mais estranhas das  pessoas… isso por que se irritava a toa não conseguia ir a missa aos domingos e nunca mais nunca mesmo terminava de ler os seus livros. fez até terapia por causa disso teve alta e mesmo assim continua sem terminar os livros que começa porque, descobriu isso na terapia, não se interessa o bastante pelos finais… e se terminasse os livros teria que abandona-los e possuia verdadeiro horror a qualquer forma de abandono…

de volta…


…ela me disse que tá de volta. me disse assim na lata – tou de volta pra casa. disse que tá confusa. que em casa se sente pior e melhor ao mesmo tempo. que voltou porque mesmo pior em casa sente um cheiro de infância. disse que mãe é bicho mais doido mas que a dela faz aquele suco de laranja com limão doce como o banho do  rio que não se lembra direito.

em casa o pão de queijo é mais brejeiro. é tão doido se sentir bicho perdido e em casa eu me encontro. mesmo faltando um pedaço em casa eu me pertenço e não adianta buscar isso em nenhum mundo inteiro, ela me disse… sou bicho encontrado quando tou em casa e já tive tantas casas mas nenhuma foi minha como a casa da minha mãe…

fico pensando nela… nessa coisa de bicho, de casa, de complicação… casa é o lugar que nossa alma tá… e foi minha mãe que me disse isso… eu disse isso pra ela que sorriu e disse sua mãe sabe das coisas…

desabafo número nem mais sei qual…


aprendendo com as curvas que a vida dá….êta ano díficil de meu Deus…quantas saudades, quantas impossibilidades…quantas perdas mas quantos ganhos, quantos abraços quanta ajuda de onde menos eu esperava…
…nem sei se ando fazendo a minha parte mas tenho feito o máximo que posso para proporcionar aos que amo o meu melhor…sou falível e devo estar em falta com alguém…diante mão peço desculpas, mas é que tenho faltado até pra mim mesma…e se vc, amigo, precisar, quero estar ao seu lado…

 

besitos…