Precisamos falar sobre o kevin. Lionel Shriver

Precisamos falar sobre o kevin. Lionel Shriver

Lembro a primeira vez que tive contato com esse livro. Na antiga Civilização do Shopping Barra. Hoje papel e Cia. Lembro que a capa do livro me chocou. Li a sinopse na orelha. Pensei que nunca teria estômago para ler este livro. A estória da mãe de uma assassino em massa. Nem os elogios na contracapa me fizeram ter vontade de ler.

É verdade que toda vez q o via exposto a capa da edição brasileira continuava me chocando. E foram muitas vezes.

Na Flip de 2010. Lá estava Lionel Shriver . Surpreendentemente senti vontade de ler o livro. Gostei da palestra dela. Num impulso comprei o livro. Fiquei na fila e meu livro  foi devidamente  autografado.Mas não seria ali, ainda, que leria o livro que ficou povoando a minha estante ainda por mais ou menos um ano e meio.

Olhava, mas escolhia outro livro… Li alguns enquanto espreitava sobre o ‘Kevin’. Houve uma tentativa que não passou da segunda pagina… Mas agora em dezembro lançam o filme com a Tilda Swinton no papel e de Eva- a mãe….pronto foi dado o veredicto que teria que ler o livro agora ou nunca pois queria ver o filme depois da leitura…

E foi num gole só… Em cinco dias, muitas emoções e tantas surpresas que o livro foi me arrebatando. Primeiro porque não e um livro fácil. Segundo porque trata do lábio  da maternidade. Terceiro porque é inteligente…

Entendo porque só pude ler agora. Em outro momento não conseguiria ter empatia por aqueles personagem. Segundo a maternidade não e e nunca será um mar de rosas. E um filho não é somente fruto do seu meio.

O livro fala de surpresas. Escolhas sem volta. Do inesperado. E principalmente da falta de respostas.

Não entrarei na parte social nem política dessas crianças, ou nem tão crianças assim que cometem esses crimes em massa. O livro é uma esfinge que faz com que mergulhemos junto com a Eva nesse enigma.

Vi o filme que não  deixa nada a desejar ao livro. Impactante, cinza…grande atuação da Tilda , dos garotos escolhidos para fazer o kevin. O filme faz jus ao livro.

Lionel Shriver escreveu um livro intrigante, instigante, grande…uma espécie de Medico e o monstro de pais e filhos….

Liberdade- Jonathan Franzen

acabei de ler Liberdade, de Jonathan Franzen. Sei que comecei a ler domingo a tarde e só parei  na sexta…li sem parar. essa semana Patty e Walter Berlung  e Richard Katz foram meus companheiros…não pude parar de ler porque é uma história que        aborda a vida íntima das pessoas. os sentimentos de sucesso e fracasso, o trabalho e/ou a criação dos filhos, a redenção, as traições, as questões do nosso século…e o que mais me impressionou forma como o autor retrata a ambiguidade , a moral, as dúvidas secretas, as paixões, as repetições e o que herdamos querendo ou não dos nossos pais…

o livro me comoveu muito… liberdade é daqueles romances que mexem com pessoas como eu…que talvez quisessem mudar o mundo, mas não mudaram coisa alguma, para aquelas que buscam sentido mas não encontram sentido algum…diria que é um romance de família que mostra de alguma forma que fazemos o que podemos fazer e nada mais além disso…

ah tah… achei a tradução péssima, meu inglês não é grande coisa para que possa ler o original… mas dei uma chance ao livro que tem partes chatas como longas explicações sobre a ´mariquita azul´ mas ao longo do livro fui me compadecendo da vida dos Berlungs… as dúvidas, as contradições tão humanas, presentes tanto na vida intima como nas disputas de poder de toda uma época…

Cadernos de Infância- Norah Lange

A sugestão que Cadernos de Infância chegou as minhas mãos através de Claudinha. Uma recomendação que atiçou a minha curiosidade. Não resiti quando o encontrei na finada Civilização Brasileira do Shopping Barra. Livraria, da minha infância…acompanhou meu Segundo grau, a Universidade, os meus estudos esótericos, e muita das minhas curiosidades…Saí com o livro na mão…livro este que ficou guardado, atrás de leituras mais urgentes, mas não menos importantes. Li um conto ou outro, aleatoriamente…Até que este mes me entreguei a sua leitura deliciosa…

A autora argentina é contemporânea de Borges,  que teceu-lhe elogios. Ficou esquecida por muitos anos e atualmente foi reeditada. Nesta resenha da Marta Barbosa para o Uol você pode encontrar uma boa prévia do livro…

A mim, cabe a beleza da leitura que vai me comovendo aos poucos na sua excelência poética, na forma de descrever os sentimentos com tanta verdade e beleza…como neste trecho da página 77:

“Sinto, às vezes,uma saudade arrebatadora, uma saudade parecida com a que só nos deixam as coisas pequeninas e simples, os acontecimentos mais ingênuos. É a lembrança das noites de sábado, que vem até mim em uma grande onda de ternura e de pureza para dar-me a certeza de que minha infância não poderia ter sido mais doce.” 

Enfim, continuo me transportando para a Infância da autora pecorrendo seus caminhos, sua brincadeiras que me remetem também a minha própria , aos meus caminhos e as minhas saudades…

Grata a Claudinha que gentilmente me inspirou a mergulhar neste encanto de leitura…